Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

O velho, o rapaz e o burro.

VERSÃO EM PROSA

"Vivia no monte um homem muito velho que tinha na sua companhia um neto.Certo dia resolveu descer ao povoado com o seu burro fazendo-se acompanhar do seu neto.Seguiam a pé,o velho á frente seguido do burro e atrás o neto.Ao passarem por uma povoação logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem:
-Olhem aqueles patetas,ali com um burro e vão a pé.
-O velho disse ao neto que se montasse no burro e este assim fez.Um pouco mais adiante passaram junto de outras pessoas que logo opinaram:
-O garoto que é forte montado no burro e o velho coitado,é que vai a pé.
Então o velho mandou apear o neto e montou ele no burro.Andaram um pouco mais até que encontraram novo grupo de pessoas e mais uma vez foram censurados:
-Olhem para isto:A pobre criança a pé e ele repimpado no burro.
Ordenou então o velho ao neto:
-Sobe rapaz,seguimos os dois montados no burro.
O rapaz obedeceu de imediato e continuaram a viagem mas um pouco mais adiante um grupo de pessoas enfrentou-os com indignação:
-Apeiem-se homens cruéis,querem matar o burrinho?!
Descendo do burro,disse o velho ao rapaz:
-Desce.Continuamos a viagem como começamos. Está visto que não podemos calar a boca ao mundo".

VERSÃO EM VERSO

Um velho, um rapaz e um burro na estrada.
Em fila indiana os três caminhavam.
Passou uma velha e pôs-se a troçar:
-O burro vai leve e sem se cansar!
O velho então pra não ser mais troçado,
Resolve no burro ir ele montado.
Chegou uma moça e pôs-se a dizer:
-Ai, coisa feia! Que triste que é ver!
O velho no burro, enquanto o rapaz,
Pequeno e cansado, a pé vai atrás!
O velho desceu e o filho montou.
Mas logo na estrada alguém gritou:
-Bem se vê que o mundo está transtornado!
O pai vai a pé e o filho montado!
O velho parou, pensou e depois
Em cima do burro montaram os dois.
Assim pela estrada seguiram os três:
Mas ouvem ralhar pela quarta vez:
Um rapaz já grande e um velho casmurro.
São cargas de mais no lombo de um burro!
Então o velhote seu filho fitou
E com tais palavras, sério, falou:
Aprende, rapaz, a não te importar,
Se a boca do mundo de ti murmurar.